Fim de ano, folga, férias… de repente o dia a dia fica sem a rotina de sempre. Tem encontros, tem excessos, tem aquele “modo diferente” que até faz bem.

Mas… e quando tudo isso passa?

Muitas vezes a gente se perde. Fica meio sem saber onde se encaixa. Dá vontade de continuar na pausa — mesmo gostando do que faz na rotina. E aí surge uma sensação de falta, um vazio estranho, e nem sempre a gente consegue lidar com isso sem se cobrar.

Às vezes isso é só: ressaca psíquica.

Ela aparece depois de um pico, não só de alegria, mas de intensidade. Na psicanálise, a gente entende que o psiquismo não “vira a chave” como quem desliga a luz. Ele tem tempo próprio. Quando a vida acelera, a gente segura muita coisa no braço: emoções, expectativas, pequenos incômodos, mágoas antigas que reaparecem, lembranças que cutucam. E dá pra aguentar? Sim! A gente aguenta porque precisa. Só que depois o corpo cobra e a mente também: aparece a irritação sem motivo, o choro “do nada”, a sensação de vazio, a preguiça de responder mensagem, a culpa por não estar bem “como era pra estar”.

Só que, olhando com calma, faz sentido. Quando a intensidade passa, sobra espaço. E espaço faz a gente escutar o que tava abafado. Às vezes a ressaca psíquica é o jeito que o inconsciente encontra de dizer: “agora dá pra sentir”. É como se a mente tivesse ficado em modo sobrevivência e, quando volta ao normal, começa a processar tudo que ficou em fila.

O que fazer com isso?

Nomeie: “isso é ressaca psíquica”. Dar nome tira um pouco do medo.

Diminua o barulho: menos tela, menos justificativa, menos pressa para estar bem.

Respeite o tempo: tem coisa que não se resolve em 24 horas, nem com força de vontade.

Se escute sem punição: o que essa queda de energia tá contando sobre você?

Procure ajuda se isso te engole: quando vira repetição dura, pode ser mais que ressaca, pode ser um pedido de cuidado.

A ressaca psíquica não é um defeito. É um sinal de que você viveu, sentiu, sustentou, atravessou. E agora seu mundo interno tá pedindo o que sempre pediu, só que a gente costuma adiar: digestão emocional.

Então, se hoje você acordou meio “sem cor”, respira. Não é o fim do encanto. É só o pós. E o pós também merece colo, inclusive o seu.

Tem uma cena que se repete todo 31 de dezembro: a gente olhando pro relógio como se ele fosse um padre prestes a abençoar a vida nova. Aí dá meia-noite e, junto com os fogos e o brinde, nasce ele: o Eu ideal. Bem arrumado, disciplinado, zen, produtivo, hidratado, com a vida afetiva resolvida e a conta bancária alinhada com a planilha. Nasce o “Eu” que finalmente vai dar certo.

Não que eu ache que desejar mudança seja errado. É humano. Só penso que o Réveillon tem um jeitinho meio cruel de transformar desejo em contrato. Como se a virada do ano fosse uma assinatura: “a partir de agora, eu prometo ser outro”. E aí entra a psicanálise com aquela sinceridade que às vezes dá vontade de revirar os olhos: não existe virar outra pessoa do dia pra noite. Existe história, repetição, defesa, conflito, desejo e, principalmente, inconsciente. A gente não é uma lista de metas com pernas.

Na clínica (e na vida), dá pra ver que as promessas de ano novo muitas vezes são menos sobre esperança e mais sobre cobrança. Um “agora vai” que carrega um “até que enfim” e um “já passou da hora”. E é aqui que o Eu ideal começa a virar armadilha. Porque o eu ideal não é só uma versão melhorzinha de nós. Ele costuma ser uma versão perfeita e, portanto, impossível. E quando a régua é impossível, adivinha o resultado? Culpa, frustração e aquele sentimento de “eu nunca consigo”.

O Eu ideal é sedutor porque ele promete alívio. “Se eu emagrecer / se eu tiver rotina / se eu parar de procrastinar / se eu for mais firme / se eu me controlar… aí eu vou me sentir bem e serei uma pessoa melhor.” Só que, muitas vezes, isso vira uma troca injusta: eu te dou amor-próprio quando você merecer. E a psicanálise cutuca exatamente aí: por que o amor precisa ser merecido? Quem foi que ensinou que só dá pra se acolher depois de performar? Quem foi que colocou esse juiz dentro da nossa cabeça?

Freud falava do superego, essa instância que pode virar um fiscal interno, cobrando pureza, retidão, desempenho. E tem gente que vive o Réveillon como uma audiência: “ano novo, sentença nova”. Só que o superego não quer só melhora. Ele quer submissão. Ele quer que você prove, que você pague, que você compense. E quando a gente escreve promessas a partir desse lugar, elas já nascem com gosto de castigo. “Vou acordar 5h.” “Nunca mais vou errar.” “Agora eu vou dar conta de tudo.” Isso não é meta, é chicote.

Além disso, a virada do ano mexe também com o luto. Luto do que não aconteceu, do que não virou, do que não foi. A gente faz retrospectiva e encontra versões nossas que falharam, que desistiram, que ficaram pelo caminho. E o Eu ideal aparece como uma tentativa de reparar essa dor com pressa, se esquecendo que dor não se resolve com pressa, se elabora. E elaborar dá trabalho, dá tempo, dá conversa interna, dá olhar pro que foi e aceitar o que não foi. E tudo isso sem fantasia de reinício mágico.

Preciso dizer novamente que, o problema não são as promessas. O problema é quando essas promessas vêm com um “eu só presto se…”. Porque aí você não está construindo um caminho; está tentando apagar uma parte de si. E ninguém apaga a própria história sem pagar um preço alto. O inconsciente não some porque a gente fez uma lista bonita na noite de Réveillon. A repetição também não. Às vezes, a repetição é justamente o jeito que o psiquismo encontrou de dizer: “tem algo aqui que você ainda não quis ouvir”.

Então talvez a pergunta mais honesta para hoje seja “o que eu estou tentando provar?”. Pra quem estou tentando provar? Pra mim? Pro meu pai interno? Pra minha mãe interna? Pro mundo? Pra alguém que eu nem convive mais, mas ainda manda dentro de mim? E além disso, também se perguntar “o que eu não estou me permitindo sentir?”. Porque muita promessa nasce como tentativa de calar ansiedade, de controlar medo, de dar nome ao caos. E eu entendo, só que controle demais vira prisão.

Então hoje eu quero te convidar a vir junto comigo e tentarmos fazer acontecer uma proposta mais realista. Que tal pensarmos em promessas ou metas mais realistas? Pensar em promessas/metas pequenas, com corpo, com vida, com falha prevista. Promessa que cabe numa terça-feira. Promessa que não exige que você seja um robô. Algo como: “vou me tratar com mais respeito quando eu não der conta”. “Vou parar de usar a culpa como combustível.” “Vou pedir ajuda antes de afundar.” “Vou sustentar um compromisso por vez.” Isso não garante foto bonita, mas garante um chão, e no chão conseguimos caminhar.

Porque no fim, o Réveillon é simbólico. E símbolo pode ser bonito quando não vira algo que oprime. Você pode brindar o novo sem cuspir no antigo. Pode desejar mudança sem se odiar pelo que ainda não mudou. Pode começar o ano sem se prometer uma perfeição que você nunca exigiria de alguém que você ama.

Então, se hoje pensarmos em fazer promessas, que seja com verdade. Com limite. Com humanidade. E, por favor, sem esse teatrinho de “agora eu renasci”. Você não precisa renascer. Você só precisa continuar… Porque a virada real não é no relógio. É quando você para de se tratar como projeto de conserto e começa a se tratar como alguém que está em processo.

Com amor,

O Natal é uma das épocas do ano que eu mais amo. Pra mim, Natal sempre foi família, união, presença, comunhão e estar perto de quem a gente ama. Eu gosto de montar a árvore, colocar pisca-pisca e sair pra ver a “magia do Natal” nas decorações da cidade.

E eu acho que eu amo tudo isso porque, no fundo, tudo isso me lembra Jesus. Ele veio pra ensinar amor, perdão e respeito. Motivo pra comemorar não falta.

Mas, a cada ano, eu vejo algumas luzes se apagando. E não tô falando das luzinhas da rua, tô falando da gente.

A sociedade parece caminhar pra um consumismo absurdo. A gente gasta até o que não tem pra presentear. E, muitas vezes, não é nem por carinho, é por posição. Até amigo secreto, que era pra ser leve, virou um mini campeonato silencioso de “quem impressiona mais”.

E aí acontece uma coisa que eu acho muito estranha: nas postagens, o Natal é amor. Ao vivo, eu não suporto ficar perto.

As festas parecem desfiles. A mesa vira exposição. Todo mundo arrumado, tudo “perfeito”, mas eu sinto um vazio no meio disso. Como se a gente estivesse junto só que longe.

Na psicanálise, a gente aprende uma coisa bem incômoda: tem momentos em que a gente não vive, a gente atua. A gente entra num papel pra dar conta do olhar do outro. E quando isso vira regra, o encontro perde verdade. Fica bonito por fora e cansativo por dentro.

Depois de uma pandemia, eu confesso que criei uma expectativa moral: achei que a gente ia valorizar mais a presença. Que ia ter uma comemoração mais sincera por estar vivo, por estar junto, por ter atravessado. Mas parece que muita gente voltou ainda mais rápido pra pressa, pra aparência, pra excesso, como que se fizer barulho fosse um jeito de não sentir.

E eu não tô escrevendo isso pra apontar dedo. Eu tô escrevendo porque eu não quero esquecer do que, pra mim, sempre foi Natal: Jesus, presença, comunhão, gente de verdade.

Que a gente não transforme o Natal numa vitrine. Que a gente não deixe Jesus do lado de fora. E que, no meio das luzes, a gente lembre de acender o essencial.

Com carinho,

Você também tem percebido que as pessoas estão vivendo só pelas férias? Chega dezembro e, junto com as luzinhas e as retrospectivas, vem aquele peso no corpo e na cabeça: a energia some, a paciência encurta, e a vontade é só de ficar quieta. Parece mesmo que o ano inteiro resolve sentar nos nossos ombros de uma vez. É ou não é?

E é nesse momento que muita gente se cobra, como se fosse preguiça, como se estivesse “mole” ou “fraca”. Só que cansaço de fim de ano não é preguiça. Preguiça até pode existir, claro, mas o que aparece nessa época costuma ser outra coisa: um organismo inteiro pedindo freio depois de meses funcionando sem parar, segurando prazos, problemas, relações, demandas e emoções que não couberam no dia a dia. Quando você não consegue parar por fora, o corpo tenta parar por dentro. E ele fala do jeito dele: sono demais ou insônia, irritação, esquecimento, vontade de sumir um pouco, choro “sem motivo”, aquela sensação de que tudo ficou mais pesado do que deveria e, infelizmente o peso não é do saco do papai noel rs.

Pela lente da psicanálise, esse cansaço não é só físico, ele é também simbólico. O fim do ano tem cara de fechamento, de balanço, e como diria a nossa querida Simone todo natal “e aí, o que você fez?”. E é justamente aí que entra um personagem conhecido: a voz interna que cobra, compara, dá nota, exige desempenho como se a vida fosse uma prova interminável. Você está cansada e, em vez de descansar, se julga. E essa culpa também esgota. É como se você trabalhasse em dois turnos: um no mundo e outro no tribunal interno, tentando ser suficiente, tentando corresponder, tentando provar valor. Além disso, dezembro mexe com pequenos e grandes lutos, mesmo quando o ano foi bom: o que não aconteceu, o que você perdeu, o que não virou, o que você precisou engolir, as relações que mudaram, o tempo que passou. Luto cansa. E o problema é que a gente tenta pular essa parte porque “tem que comemorar”, como se alegria fosse obrigação e gratidão fosse um uniforme. Só que a mente não funciona por calendário. Dá para estar feliz por uma coisa e triste por outra no mesmo dia, e isso não é drama: é humano.

Talvez, então, a pergunta não seja “por que estou assim?”, mas “do que eu estou precisando?”. Em vez de se chamar de preguiçosa, experimente nomear com honestidade: “eu estou cansada”. Sem xingar, sem justificar. Tente um fechamento de ano mais humano e menos performático, menos lista de metas e mais escuta: o que eu carreguei demais? o que eu aguentei calada? o que eu preciso deixar para trás para voltar a respirar? E, principalmente, dê ao descanso o lugar que ele sempre teve, antes dessa moda de produtividade 24/7: descanso não é luxo, é manutenção. Às vezes, descansar vai ser dormir. Outras vezes, vai ser diminuir estímulos, reduzir compromissos, ficar em silêncio, dizer “não” sem culpa, permitir um “não fazer nada” sem se punir depois. O seu cansaço pode estar dizendo uma verdade simples: você não é máquina. E isso, por mais óbvio que pareça, é exatamente o tipo de coisa que a gente precisa se lembrar quando o ano termina e a conta emocional chega.

Você já sentiu que tem uma polícia morando dentro da sua cabeça? Basta errar, atrasar algo, burlar a dieta, falar o que não queria… e surge aquela voz interna: “Você é um desastre”, “Nunca aprende”, “Uma pessoa decente não faria isso”. Não é só perceber que algo não foi legal. É se sentir julgado, condenado e já sentenciar a si mesmo. Já se sentiu assim? Apresento pra você o superego.

Na psicanálise, o superego é essa instância moral que se forma a partir das vozes que a gente introjeta: pais, família, religião, escola, cultura. Ele é importante: sem ele, não haveria limite, responsabilidade, cuidado com o outro. O problema é quando ele deixa de ser um guia ético e se torna um agente punitivo, rígido, sem contexto. Nesse funcionamento, não existe diferença entre “fiz algo ruim” e “eu sou ruim”.

Um superego mais saudável permite reconhecer um erro, sentir culpa na medida, reparar o que for possível e seguir. Já o superego polícial transforma qualquer deslize em prova de defeito de caráter. Em vez de “isso não foi legal”, vira “você é péssima”, ´´ninguém vai gostar de você assim“. A culpa deixa de ser sinal e vira identidade. E, quando isso acontece, muita gente responde se punindo: se sabotando no trabalho, escolhendo relações que machucam, não se permitindo descanso, estragando momentos bons como se não os merecesse.

Esse superego rígido não surge do nada, ele tem história. Geralmente infâncias com muita crítica e pouco acolhimento, ambientes moralistas em que tudo é 8 ou 80, vivências de rejeição que levam a criança a concluir “se me deixaram, é porque eu sou ruim”, uso da religião mais como ameaça do que como cuidado. Tudo isso vai sendo interiorizado e, um dia, essa fala entra como se fosse a sua própria consciência.

Importante falar aqui que moral não é o problema. Ter valores é fundamental. O que adoece é uma moral sem humanidade, que confunde pensamento com ação, falha com maldade, limite com egoísmo. Um superego assim não ajuda ninguém a crescer, só produz medo, vergonha e sintomas.

A psicanálise entra justamente aí: não para calar o superego, mas para colocá-lo no lugar dele. No processo analítico, a pessoa começa a perceber que aquela voz interna não é verdade absoluta, mas algo que foi construído. Começa a distinguir culpa real (por algo concreto que fez) de culpa exagerada ou fantasiada (por simplesmente sentir, desejar). Aos poucos, a lógica da punição vai dando lugar à lógica da responsabilidade. Ao invés de “preciso pagar pelo que sou”, passa a ser “posso olhar para o que fiz e ver o que é possível fazer diferente”. É o superego agindo como informação e não punição.

Desarmar esse superego policial passa por fazer perguntas incômodas, mas necessárias: Essa culpa é de agora ou é velha, repetida em tudo? Eu julgaria um amigo como me julgo? Estou tentando reparar ou só me machucar? De quem é essa voz dentro de mim? Isso que chamo de egoísmo não é, na verdade, cuidado comigo?

Quando o superego deixa de agir como polícia, a gente não vira alguém sem limites. Pelo contrário, nasce uma ética mais adulta, em que é possível assumir responsabilidade sem viver como condenado. A culpa deixa de ser uma sentença perpétua e passa a ser um afeto que aponta algo a ser pensado. E, no lugar do discurso interno “você é horrível, pague pelo que fez”, vai se abrindo espaço para algo mais difícil e mais verdadeiro: “você é responsável, mas também é humano”. É nesse intervalo, entre a culpa que faz pensar e a punição que destrói, que muito trabalho psíquico acontece. E é aí que, aos poucos, a polícia interna perde a farda e o chicote, e dá lugar a uma consciência que não desculpa tudo, mas também não precisa nos esmagar.

Hoje resolvi falar de um tema muito falado por todos nós, a frustração. A frustração não é de toda ruim, sabemos disso, mas lidar com ela é algo que nem sempre sabemos. E a psicanálise nos explica a importância desse sentimento no nosso cotidiano.

A frustração não é um defeito de fábrica. É um sinal de que existe realidade. E, goste ou não, a vida não é fácil não é mesmo? è praticamente um eterno “não dá”. Não dá do jeito que eu queria, na hora que eu queria, com as pessoas se comportando exatamente como eu imaginei e esse “NÃO” é o chão.

O problema é que hoje a gente confunde muito a frustração com algo que não posso sentir. Ou como algo que eu deva responsabilizar o outro pelo que eu estou sentindo: “se estou frustrado, então tem algo errado com o outro, com o trabalho, com o relacionamento… com o universo.” E aí começa a briga interna do evitar sentir.

Só que evitar frustração custa caro. Custa crescimento.

Na clínica, a frustração aparece com várias fantasias por trás: a fantasia de ser escolhido, de ser exceção, de ser compreendido sem precisar falar, de ter garantia de amor, de não depender, de não errar, de não perder. Tudo isso é muito humano. E tudo isso esbarra numa verdade antiga: desejar é lidar com a falta.

Frustração é o atrito inevitável entre desejo e limite, e vamos combinar? Tem muita gente precisando de limite por aí não é mesmo?

Importante colocar aqui que limite não é uma punição moral. É estrutura. A coisa mais “tradicional” da vida psíquica é essa: ninguém aguenta tudo, ninguém dá conta de tudo, ninguém vai receber tudo. Quando alguma parte de nós ainda está presa na ideia de completude, qualquer limite vira humilhação. Não vira só um “não deu”. Vira um “não sou amado”, “não sou capaz”, “não sou suficiente”. A frustração vira identidade.

Por isso algumas pessoas não ficam só frustradas. Elas desabam. Ou atacam. Ou se anestesiam. Ou viram especialistas em fugir. Só que tem uma virada importante: suportar frustração não é “ser forte”. É ser capaz de perder a fantasia, vivendo a realidade. É aceitar que o outro falha, que eu falho, que o tempo passa, que o mundo não obedece. E, mesmo assim, continuar desejando. Continuar construindo. Continuar amando sem exigir garantias impossíveis.

A frustração bem atravessada vira três coisas muito valiosas:

Tolerância ao tempo (nem tudo é agora).

Capacidade de simbolizar (em vez de agir no impulso, eu penso, nomeio, elaboro).

Autonomia emocional (eu aguento o “não” sem transformar isso num veredito sobre quem eu sou).

No fundo, frustração é algo necessário. Um rito de passagem para o amadurecimento e autoconfiança. Se frustrar dói, mas também é libertador, porque quando eu paro de brigar com a realidade, sobra energia pra viver de verdade. E viver de verdade é isso, perceber que o mundo não gira ao meu redor.