Natal: Entre a Magia e a Vitrine
O Natal é uma das épocas do ano que eu mais amo. Pra mim, Natal sempre foi família, união, presença, comunhão e estar perto de quem a gente ama. Eu gosto de montar a árvore, colocar pisca-pisca e sair pra ver a “magia do Natal” nas decorações da cidade.
E eu acho que eu amo tudo isso porque, no fundo, tudo isso me lembra Jesus. Ele veio pra ensinar amor, perdão e respeito. Motivo pra comemorar não falta.
Mas, a cada ano, eu vejo algumas luzes se apagando. E não tô falando das luzinhas da rua, tô falando da gente.
A sociedade parece caminhar pra um consumismo absurdo. A gente gasta até o que não tem pra presentear. E, muitas vezes, não é nem por carinho, é por posição. Até amigo secreto, que era pra ser leve, virou um mini campeonato silencioso de “quem impressiona mais”.
E aí acontece uma coisa que eu acho muito estranha: nas postagens, o Natal é amor. Ao vivo, eu não suporto ficar perto.
As festas parecem desfiles. A mesa vira exposição. Todo mundo arrumado, tudo “perfeito”, mas eu sinto um vazio no meio disso. Como se a gente estivesse junto só que longe.
Na psicanálise, a gente aprende uma coisa bem incômoda: tem momentos em que a gente não vive, a gente atua. A gente entra num papel pra dar conta do olhar do outro. E quando isso vira regra, o encontro perde verdade. Fica bonito por fora e cansativo por dentro.
Depois de uma pandemia, eu confesso que criei uma expectativa moral: achei que a gente ia valorizar mais a presença. Que ia ter uma comemoração mais sincera por estar vivo, por estar junto, por ter atravessado. Mas parece que muita gente voltou ainda mais rápido pra pressa, pra aparência, pra excesso, como que se fizer barulho fosse um jeito de não sentir.
E eu não tô escrevendo isso pra apontar dedo. Eu tô escrevendo porque eu não quero esquecer do que, pra mim, sempre foi Natal: Jesus, presença, comunhão, gente de verdade.
Que a gente não transforme o Natal numa vitrine. Que a gente não deixe Jesus do lado de fora. E que, no meio das luzes, a gente lembre de acender o essencial.
Com carinho,




