As festas de fim de ano são frequentemente associadas a alegria, confraternização e celebração. Nas redes sociais vemos todos felizes e comemorando. No entanto, para muitas pessoas, esse período também pode trazer sentimentos de ansiedade, tristeza ou sobrecarga emocional. É comum que a expectativa de se reunir com amigos e familiares, ou mesmo a reflexão sobre as realizações pessoais, impactem a saúde mental. Foi pensando nisso que a Psique preparou pra você algumas dicas que podem te ajudar neste final de ano.

1. Estabeleça Limites
Dizer “não” para convites ou compromissos que você não deseja aceitar é um ato de autocuidado. Respeite seus limites emocionais e físicos.

2. Gerencie Expectativas
Permita-se vivenciar as festas do seu jeito, sem se prender à ideia de perfeição. Nem todas as celebrações precisam ser grandiosas ou seguir um padrão.

3. Pratique a Gratidão Realista
Reflita sobre o que você conquistou ao longo do ano, mas sem se cobrar excessivamente. Valorize pequenas vitórias e aprenda com os desafios.

4. Planeje Momentos de Descanso
Inclua pausas em sua agenda. Seja um dia tranquilo em casa ou uma caminhada ao ar livre, momentos de descanso ajudam a recarregar as energias.

5. Busque Apoio Quando Necessário
Se você sente que as emoções estão fora de controle, considere procurar um analista. Na Psique você consegue cuidar da sua saúde mental com um valor acessível.

É importante ter em mente que nem sempre é possível manter velhos hábitos ou tradições. Se as celebrações antigas não fazem mais sentido para você, que tal criar novas? Pode ser algo simples, como assistir a um filme especial, fazer uma doação ou preparar uma refeição especial para você mesmo. Não é fácil quebrar paradigmas, mas quando começamos a dar prioridade ao nosso Eu tudo vai se encaixando e percebo que não estou no controle de muitas coisas e que está tudo bem.
Sendo assim, desafiamos você a passar essas festas de fim de ano do jeitinho que você quer, sozinho, acompanhado, com privacidade, amontoado, com a família ou com os amigos, o importante é você praticar o autocuidado e refletir sobre o que realmente importa. Respeite seus sentimentos, priorize o que te faz bem e lembre-se de que não há uma maneira certa ou errada de passar por essa época. O mais importante é cuidar de si mesmo e buscar apoio quando precisar.

A Black Friday está chegando, e a ansiedade já tomou conta. Há aqueles que economizaram ao longo do tempo para aproveitar as ofertas e outros que, movidos pelo desejo imediato e um cartão de crédito em mãos, acreditam que essa é a última oportunidade de adquirir algo “barato”. Mas o que leva tantas pessoas a comprar sem pensar nas consequências para o amanhã?

O nosso desejo constante de consumir é impulsionado não apenas por necessidades práticas, mas por um impulso profundo e visceral: a libido. Essa energia vital, tradicionalmente associada ao desejo sexual, é, na verdade, uma força muito mais ampla que move o ser humano em busca de prazer, satisfação e conexão. Na sociedade contemporânea, ela foi habilmente capturada pelo mercado para moldar o consumo como uma expressão de identidade, poder e realização pessoal.

Os anúncios publicitários, vitrines e campanhas de marketing não vendem apenas produtos; eles oferecem sonhos, experiências e promessas de felicidade e é a libido que nos faz desejar aquele perfume que sugere sensualidade, o carro que simboliza status, ou o smartphone que nos conecta a um ideal de modernidade e pertencimento. Não consumimos apenas coisas; consumimos significados. E esses significados, cuidadosamente construídos pelas narrativas do mercado, estimulam nosso desejo de ser mais atraentes, mais realizados e mais completos.

Essa dinâmica, entretanto, vai além do campo individual e permeia as estruturas sociais. A libido, canalizada para o consumo, transforma-se em um motor econômico poderoso. O capitalismo alimenta-se dessa pulsão, criando uma cadeia de produção, publicidade e venda que se renova constantemente. O que é desejado hoje rapidamente se torna obsoleto, dando lugar a novos objetos de desejo que prometem preencher os mesmos vazios.

Contudo, essa busca incessante por satisfação muitas vezes resulta em frustração. Assim como na psicanálise, onde a libido nunca se realiza plenamente, no consumo também somos mantidos em um estado de constante aspiração. É a ausência que move o desejo, e a sociedade do consumo é construída para que nunca nos sintamos completamente saciados.

Repensar o papel da libido na sociedade do consumo é fundamental. Redirecionar essa energia vital para relações mais significativas, para o autoconhecimento e para o cuidado com o próximo e com o meio ambiente é uma urgência que a sociedade ainda não conseguiu atender. No entanto, enquanto não encontrarmos respostas claras, continuaremos girando em torno desse motor incansável, que ao mesmo tempo nos impulsiona e nos aprisiona. Assim, a libido, em sua essência criativa e transformadora, permanece como um reflexo de nossas maiores aspirações e também de nossas maiores armadilhas.

Antes de irmos ao texto, quero contextualizar o 20 de novembro para vocês.

O Dia da Consciência Negra foi idealizado em 1971 por um grupo de estudantes negros do Rio Grande do Sul, conhecido como Grupo Palmares. Em 2003, o então presidente Lula sancionou uma lei federal que estabeleceu o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar. Essa mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas.

Mais tarde, em 2011, a celebração passou a ser oficialmente reconhecida como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, por meio de outra lei federal. E, finalmente, em 2023, o presidente Lula sancionou a lei que transformou o 20 de novembro em um feriado nacional.

Percebam o longo caminho que essa data percorreu: foram 52 anos de luta até que fosse instituída como um feriado nacional. Um marco importante para registrar que precisamos, como sociedade, refletir e nos conscientizar sobre o racismo. E para você, que ainda insiste em dizer que o racismo não existe ou que é “mimimi”, vamos ao texto.

O racismo internalizado é uma forma de opressão silenciosa que afeta profundamente a autoestima e a percepção de identidade de pessoas de grupos racializados. Ele ocorre quando ideias e preconceitos racistas, difundidos pela sociedade, são absorvidos por quem sofre discriminação, levando a uma desvalorização de si mesmo e de sua cultura. Essa dinâmica está intimamente ligada ao que chamamos de “superego cultural”, uma espécie de regulador interno moldado por valores e normas da sociedade dominante.

O superego cultural reflete padrões de beleza, inteligência, comportamento e sucesso que muitas vezes privilegiam características de pessoas brancas. Por meio de mensagens diretas ou subliminares, a sociedade reforça a ideia de que determinados traços, como pele clara, cabelo liso ou práticas culturais específicas, são superiores. Com isso, pessoas de grupos historicamente excluídos podem sentir a necessidade de rejeitar suas características culturais ou físicas para se adaptar a esses padrões.

Esse fenômeno se manifesta de várias formas: desde uma autoimagem negativa e a busca por assimilação a comportamentos que perpetuam preconceitos contra outros membros da mesma comunidade. Exemplos muito comuns são: a rejeição de cabelos naturais, a valorização de tons de pele mais claros e até a discriminação linguística, quando formas de falar associadas a determinadas culturas são vistas como inferiores.

Para enfrentarmos isso, é essencial investir em educação crítica, buscando aprender mais sobre a história e as contribuições de diferentes grupos racializados, além de desconstruir narrativas dominantes que perpetuam a desigualdade. Práticas de afirmação, como celebrar características culturais e físicas próprias, bem como valorizar marcos importantes, como o 20 de novembro, também são fundamentais para resgatar o orgulho pela identidade.

Construir comunidades que valorizam as identidades culturais de forma positiva e desafiar os padrões dominantes impostos pelo superego cultural são passos indispensáveis para romper com essas dinâmicas opressivas. É importante lembrar que o racismo internalizado não é uma falha individual, mas o resultado de estruturas sociais que precisam ser transformados.

Os passos são de formiga, mas com muita vontade e esperança de que um dia teremos um mundo igualitário, onde não haverá mais discriminação em razão da cor de sua pele

Essa semana, um paciente me perguntou por que ele tinha que estudar História, já que tudo aquilo já passou e hoje pensamos diferente. Ele tem 14 anos e, como muitos adolescentes, fica “cansado” de estudar coisas que parecem não fazer sentido. Mas já parou para pensar que a história do nosso país ajuda a moldar quem somos como povo e deixa marcas que continuam vivas até hoje? As guerras, a escravidão, as ditaduras… tudo isso deixou cicatrizes que ainda afetam nosso jeito de ser e de agir, mesmo que a gente não perceba. Carregamos essas marcas, mesmo sem ter vivido naquela época.

Essas marcas do passado aparecem de jeitos inesperados e influenciam nossos relacionamentos, nossas escolhas e até a maneira como nos vemos. O conceito de inconsciente coletivo ajuda a entender como essas memórias dolorosas passam de geração em geração, moldando nossa visão de mundo e o jeito que agimos. Os traumas históricos, em particular, deixam marcas profundas na nossa memória coletiva, afetando nossa identidade e como nos relacionamos com a gente mesmo e com o mundo.

Culpa coletiva, dificuldade em lidar com o passado, repetição de padrões que não fazem bem, desconfiança em relação a outros grupos… tudo isso é reflexo dessas marcas. Negar ou idealizar o passado são formas de evitar essas feridas, mas isso também impede a gente de construir uma identidade mais saudável.

Assim, educação tem um papel fundamental, promovendo o conhecimento histórico e o debate crítico. E aí está a importância de estudar História! Quando a educação conecta passado e presente e faz os jovens refletirem e debaterem sobre esses temas, a gente vai evoluindo e construindo uma sociedade melhor.

Quando falamos em Freud, é muito comum que, quase como num passe de mágica, nos transportemos para uma sala com um divã, onde um analista silencioso e sério aguarda pacientemente que falemos algo. Essa é a imagem clássica da psicanálise, ainda muito presente em nossa sociedade. No entanto, uma das contribuições mais complexas e instigantes do pai da psicanálise é sua metapsicologia: um conjunto de conceitos que não apenas estabelece as bases da psicanálise, mas também oferece uma visão mais profunda sobre o funcionamento da mente humana, indo além da psicologia descritiva para explorar os processos subjacentes que moldam nossos pensamentos, emoções e comportamentos.

O termo metapsicologia refere-se a uma forma de olhar para a psique que vai além da psicologia tradicional. Enquanto a psicologia, no sentido mais comum, observa e estuda os comportamentos e emoções a partir de uma perspectiva mais visível, a metapsicologia de Freud busca entender a mente de forma “meta”, ou seja, explorando aspectos mais profundos e invisíveis, como o funcionamento do inconsciente e os processos internos que moldam nossos comportamentos.

Freud delineou três perspectivas essenciais da metapsicologia: a dinâmica, a econômica e a tópica. Não entrarei em detalhes sobre cada uma delas aqui, pois esse não é o meu foco, mas deixo o convite para a formação em psicanálise com a Psique, que busca se destacar cada vez mais a cada ano. A metapsicologia é fundamental para a psicanálise porque fornece as bases para uma compreensão profunda dos mecanismos que operam no inconsciente. Sem essa estrutura, a psicanálise poderia ser vista como uma série de hipóteses sobre o comportamento humano, mas a metapsicologia dá a Freud o respaldo teórico para fundamentar suas ideias sobre os processos internos da mente. Ao analisar casos clínicos, Freud pôde observar que sintomas, memórias reprimidas e sonhos revelam muito mais do que aparentam. A metapsicologia dá suporte para entender como esses aspectos se interconectam e manifestam-se na vida cotidiana.

Embora a teoria psicanalítica tenha evoluído e sido criticada ao longo dos anos, a metapsicologia permanece relevante. Muitos psicoterapeutas modernos ainda utilizam as ideias metapsicológicas de Freud como uma lente para entender problemas como a ansiedade, a depressão e até questões mais complexas como os transtornos de personalidade. Ela serve como uma ponte entre a observação clínica e a compreensão profunda dos fenômenos subjetivos, oferecendo uma linguagem teórica para o que ocorre atrás das cenas da mente humana.

Explorar a metapsicologia de Freud é uma jornada para além do comportamento observável, é uma viagem ao núcleo do que significa ser humano. Ao entender esses aspectos dinâmicos, econômicos e tópicos, conseguimos não só interpretar melhor os sintomas psíquicos, mas também expandir nossa compreensão sobre a natureza das emoções, dos conflitos e das relações humanas.

Ela nos convida a olhar além do que é visível, para acessar os processos complexos e, por vezes, paradoxais que nos constituem. Em última análise, é um chamado para refletir sobre como a estrutura da psique humana pode nos ajudar a compreender melhor o sofrimento e a busca por sentido, que são, afinal, temas universais e atemporais.

Antes de tudo, quero dizer que o que apresento aqui sobre como a psicanálise aborda o tratamento dos transtornos alimentares não é um caminho fácil ou rápido de ser percorrido. O autoconhecimento pode ser doloroso e precisa respeitar o tempo de cada pessoa. Por isso, embora aqui o tratamento psicanalítico possa parecer direto e eficaz, é sempre importante lembrar que a análise é um processo, e, como todo processo, possui suas etapas.

Sabendo disso, volto dizendo que os transtornos alimentares representam uma das questões mais complexas de saúde mental, e a psicanálise oferece uma abordagem profunda e diferenciada para tratar suas causas subjacentes. Diferente de outros métodos terapêuticos, que podem focar em alterar comportamentos de forma mais imediata, a psicanálise visa a compreender e trabalhar os conflitos emocionais inconscientes que dão origem a esses comportamentos.

Na psicanálise, o foco do tratamento é entender o significado emocional e simbólico da relação do paciente com a comida e o corpo. A ideia central é que os transtornos alimentares não são apenas sobre alimentação ou aparência, mas representam conflitos inconscientes. Por exemplo, para algumas pessoas, o ato de controlar a alimentação pode ser uma forma inconsciente de lidar com sentimentos de impotência ou falta de controle em outras áreas da vida.

Durante as sessões, o analista ajuda o paciente a explorar essas associações. Esse processo ocorre através da “associação livre”, técnica em que o paciente fala de forma espontânea, sem censura, sobre seus pensamentos, sentimentos e memórias. Esse método permite que o paciente revele, gradualmente, as emoções e desejos reprimidos que influenciam seus comportamentos alimentares.

Uma parte, também fundamental, do tratamento psicanalítico é o vínculo estabelecido entre o paciente e o analista, conhecido como “transferência”. No contexto do tratamento dos transtornos alimentares, esse vínculo possibilita que o paciente projete, revele e entenda questões emocionais em um espaço seguro. A transferência é essencial, pois ajuda o paciente a revisitar e interpretar experiências passadas de forma que se conectem com seus conflitos atuais, como a ansiedade, a insegurança ou a culpa que acompanham a sua relação com a comida.

Outra característica importante do tratamento é o trabalho com a “repetição”, ou seja, o padrão de comportamentos que o paciente apresenta e que tende a reproduzir inconscientemente. No caso dos transtornos alimentares, o analista ajuda o paciente a identificar esses padrões – como episódios de compulsão seguidos de culpa ou o medo de perder o controle sobre a alimentação – e compreender suas causas, permitindo que ele encontre formas mais saudáveis de lidar com essas emoções.

Ao explorar os significados ocultos por trás dos transtornos alimentares, a psicanálise possibilita que o paciente adquira uma visão mais ampla e integrada de si mesmo. A compreensão dos conflitos inconscientes permite que o paciente perceba como lida com suas emoções e desenvolva maneiras mais funcionais de gerenciá-las. Com o tempo, ele é capaz de construir uma relação mais saudável e equilibrada com o alimento, substituindo comportamentos automáticos e prejudiciais por uma postura consciente e acolhedora consigo mesmo.

Dessa forma, psicanálise vê o cuidado dos transtornos alimentares como um processo gradual de autoconhecimento. Ao invés de buscar mudanças rápidas, o tratamento se concentra em entender e ressignificar os significados e conflitos inconscientes que sustentam esses transtornos. O objetivo é que o paciente se fortaleça emocionalmente e desenvolva uma autonomia psíquica, que o ajude a lidar com suas questões de maneira mais saudável e assertiva.

Pedimos que, caso você esteja percebendo que essa série tem algo a ver com o que você vive ou sente, pedimos que busque ajuda médica e psicológica o quanto antes.