Não consigo viver sem agradar aos outros: vamos falar sobre isso?

Sabe aquela voz interna que não te deixa dizer “não”?
Que faz você topar coisas que não quer, sorrir quando queria chorar ou segurar a raiva pra não parecer “difícil”?

Muita gente acha que isso é só “jeito de ser” ou “educação”, mas a psicanálise ajuda a gente a perceber que existe muito mais por trás.
Na maioria das vezes, esse padrão de agradar não é escolha: é um sintoma. Um pedido do inconsciente para que a gente olhe para a nossa história, os nossos medos e as fantasias que ainda nos prendem.

Desde muito cedo, aprendemos que o amor vem com condição:
• Quando eu sou boazinha, a mamãe sorri.
• Quando eu tiro nota boa, recebo elogio.
• Quando eu ajudo, as pessoas sorriem.

A criança vai entendendo que, pra continuar recebendo amor, precisa corresponder ao que o outro espera. E é aí crescemos com essa lógica dentro da gente: “se eu não agradar, vou ser rejeitada”. É quase como se, sem a aprovação do outro, não existíssemos. E como isso nos afeta? Ficamos com medo do conflito. Abrimos mão de nós mesmos o tempo todo. Nos sentimos esgotados e até ressentidos, porque parece que nunca é suficiente. Nos afastamos do que realmente queremos, porque estamos sempre ocupadas com o desejo do outro. No fundo, vivemos esperando agradar… e nos esquecemos de perguntar: “Mas eu gosto disso? Eu quero mesmo?”

É aqui que a psicanálise pode ajudar, ela não vai dar uma receita do que temos que fazer, mas através da escuta o analista poderá caminhar junto com o paciente para perceberem o que sustenta esse comportamento. De onde veio essa necessidade? Que função ela cumpre na sua vida? O que você teme perder se parar de agradar?

Infelizmente algumas pessoas só conseguem existir através do olhar do outro. E, no processo, vamos entendendo junto com eles que, pra se libertar, é preciso primeiro saber o que está sendo repetido inconscientemente. É um trabalho delicado, mas extremamente libertador.

Mas Andressa é errado querer que o outro me ame ou me veja? Não! Não tem nada de errado nisso, podemos enxergar um problema associado a isso quando vemos nisso uma condição para existir. Então não precisa se culpar por querer ser querido, mas talvez valha a pena se perguntar: “Se eu não agradasse ninguém hoje, eu ainda me sentiria digno de amor?” Se a resposta for “não”, talvez seja hora de olhar para isso com mais carinho.

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