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Quando o sol começa a se pôr mais cedo e o cinza domina a paisagem, algo em nós também parece se recolher. O inverno não é apenas uma mudança de temperatura, é um deslocamento simbólico que nos obriga a trocar a expansividade do verão pela introspecção.

Na psicanálise, essa “baixa de luz” conversa diretamente com o que Freud explorou em sua obra, distinguindo o luto da melancolia. Enquanto o luto é a reação à perda de algo concreto no mundo externo, a melancolia invernal muitas vezes se manifesta como uma ferida aberta no próprio eu, onde não sabemos exatamente o que perdemos, mas sentimos o peso desse vazio.

No dia a dia, essa melancolia se apresenta em pequenos gestos, como a dificuldade quase física de abandonar o calor do edredom ou o desejo súbito de cancelar compromissos sociais para ficar em silêncio. O mundo lá fora parece exigir um ritmo que o corpo interno já não consegue acompanhar. É como se o “objeto perdido” da psicanálise fosse a nossa própria vitalidade solar, deixando em seu lugar uma sombra que cai sobre o ego. Essa retração não é necessariamente um erro ou uma patologia, mas uma forma de hibernação psíquica. O sujeito se volta para dentro porque o ambiente externo já não oferece os estímulos de brilho e calor que sustentavam sua máscara social.

Essa atmosfera convida a uma espécie de revisão de estoque da alma. Quando as árvores perdem as folhas, somos lembrados da nossa própria finitude e das perdas que acumulamos ao longo do caminho. Na mesa do café, ao olhar pela janela embaçada, o sentimento de nostalgia não é por um tempo específico, mas por uma plenitude que talvez nunca tenha existido. É o que Lacan chamaria de encontro com a falta. O inverno expõe as frestas por onde o vento passa, evidenciando que nenhum casaco é capaz de aquecer completamente o desamparo humano.

Entender essa melancolia sob a ótica psicanalítica é dar permissão para que o sujeito habite sua própria tristeza sem a obrigação de curá-la imediatamente com luzes artificiais. É reconhecer que o silêncio do inverno tem uma função: ele nos obriga a ouvir o que o barulho das outras estações costuma abafar. No cotidiano, abraçar esse estado pode significar trocar a produtividade frenética por uma leitura lenta ou por um diálogo mais honesto consigo mesmo. Afinal, para que a primavera ocorra lá fora, o trabalho silencioso das raízes precisa acontecer no frio e no escuro do lado de dentro.

Brincar é uma das atividades mais genuínas e essenciais da experiência humana, mas, ironicamente, costuma ser subestimada sob o rótulo de mera distração ou passatempo infantil. Aqui no consultório, é comum ouvir dos pais o relato: “eu perguntei como foi a sessão e ela disse que só brincou”.

O que acontece é que na perspectiva de Winnicott, um dos psicanalistas mais sensíveis à realidade do desenvolvimento humano, não é só um brincar é o lugar onde a vida ganha sentido. Por isso, dizer que “brincar é coisa séria” não é apenas um jogo de palavras, mas a constatação de que é nesse espaço criativo que o sujeito se constitui, experimenta o mundo e, inevitavelmente, deixa transparecer as tramas do seu inconsciente.

Para Winnicott, o brincar se desenrola naquilo que ele chamou de espaço potencial, uma zona intermediária entre a realidade interna do indivíduo e a realidade externa do mundo compartilhado. Quando uma criança (ou um adulto, em sua capacidade lúdica) se engaja em uma brincadeira, ela não está apenas manipulando objetos ou seguindo regras, ela está em um estado de entrega que permite a emergência de quem ela realmente é. É nesse terreno fértil que o inconsciente encontra uma via de expressão segura e organizada. Enquanto o sintoma, muitas vezes, é uma expressão rígida e repetitiva de um conflito, o brincar oferece a maleabilidade necessária para que os desejos, medos e fantasias sejam dramatizados, processados e, finalmente, integrados.

É fundamental compreender que o jogo funciona como um espelho da psique. Ao escolher um brinquedo, ao dar um tom de voz a um personagem ou ao criar um cenário imaginário, o sujeito não está operando no vazio. Ele está, sem perceber, projetando fragmentos de sua própria história e de suas angústias mais profundas. A psicanálise nos ensina que o inconsciente não é um lugar estático, mas algo que busca ser revelado. No brincar, essa revelação acontece através da ação. É a oportunidade de encenar o indizível, de dar forma ao que, até então, permanecia apenas como um eco sombrio ou uma pulsão sem destino.

Portanto, quando olhamos para o brincar com a lente Winnicottiana, percebemos que não se trata apenas de diversão, mas de uma ferramenta vital de saúde mental. O brincar é o alicerce da criatividade e da capacidade de se sentir real no mundo. Se o jogo é a linguagem pela qual o sujeito se comunica consigo mesmo e com o ambiente, ele é, simultaneamente, o caminho mais direto para o autoconhecimento. Valorizar o lúdico não é um retorno à infância, mas um reconhecimento de que, em qualquer idade, o brincar é o trabalho mais sério que podemos realizar para sustentar a nossa humanidade.

Na perspectiva psicanalítica a rotina de uma pessoa pode revelar muito sobre seu inconsciente, seus desejos reprimidos, suas ansiedades e seus mecanismos de defesa. Freud sugeriu que muitos dos nossos comportamentos diários são influenciados pelo nosso inconscientes.
A repetição de certas atividades pode indicar a presença de desejos inconscientes que estão sendo expressos de forma simbólica. Por exemplo, uma pessoa que segue uma rotina rigorosa e metódica pode estar tentando controlar ansiedades internas e conflitos não resolvidos.
Ou até mesmo a rotina pode funcionar como um mecanismo de defesa como a racionalização e a repressão, que podem ser observados em hábitos diários. Ex. Alguém que adota uma rotina rígida de exercícios pode estar sublimando impulsos agressivos ou sexuais, transformando-os em uma atividade socialmente aceita.
Há pessoas ainda que possuem hábitos autossabotadores, que pode apontar para um conflito entre o desejo de sucesso e um sentimento inconsciente de não merecimento ou medo do fracasso.
Sendo qualquer um desses olhares, nós psicanalistas, podemos ajudar os indivíduos a descobrir desejos ocultos, resolver conflitos internos e promover uma maior autocompreensão e crescimento pessoal.
Antes precisamos estar dispostos a nos conhecermos e buscar conhecimento teórico, aqui na Psique você encontra aulas online ao vivo e presencial, fale com o nosso time e fique por dentro!

Atualmente, o termo “pandemia” tem se destacado em nosso meio e tornou-se uma das palavras mais usadas por toda a humanidade.

A saúde mental, por sua vez, não ficou de fora, ganhou um olhar mais considerado e reflexivo. O isolamento social nos trouxe grandes desafios em termos de adaptações e capacidade de enfrentamento.

Ao mesmo tempo que as necessidades do momento, nos empurram para as novas descobertas, com sensações positivas de êxito, também podem nos trazer grandes frustrações, por conta do sentimento de impotência que nos abate, e muitas vezes trazendo sensações de incompetência e insegurança, e, por sua vez o desenrolar dos tão famosos processos ansiosos e/ou depressivos, que tanto nos paralisa.

Diante disso, cabe a nós como seres humanos nos movermos em direção ao autoconhecimento a fim de retomarmos as rédeas de nossas emoções e pensamentos.

Psicóloga e Psicanalista Simone Selari, diretora da Psique, formada há 10 anos e coordenadora do curso de Psicanálise da Associação Nacional de Estudos Psicanalíticos no polo Moóca- SP é entrevistada por Maria Júlia Lima e Silva

Majú Diante do nosso momento atual, gostaríamos que falasse um pouco do seu olhar sobre o impacto da pandemia na saúde mental.

Simone SelariNa verdade, eu entendo que mesmo antes dessa pandemia por conta do Covid, já vivíamos uma pandemia na área da saúde mental. Vejo que o momento só potencializou e desencadeou questões que já estavam dentro do psiquismo, variando apenas de uma pessoa pra outra, de acordo com suas questões de vulnerabilidade, porém, não podemos negar o fato de que, quanto mais há sofrimento, mais suscetível estaremos aos sintomas em termos de saúde mental.

Com este cenário mundial instável é difícil alguém que não tenha apresentado em algum momento sintoma de ansiedade ou mesmo angústia. Afinal são muitas informações, muitas expectativas sobre saúde, boletins econômicos, e muito mais.

Assim, é comum que a nossa saúde mental sofra as consequências.

Muitas questões estão envolvidas nesse processo como, por exemplo a resistência, a resiliência de cada um…”

Majú: Quais estratégias que você acha que poderiam ajudar a reduzir os efeitos da pandemia na saúde mental?

Simone Selari: 1- Filtras as informações: Hoje em dia temos informações 24hs sobre a pandemia e tudo o que a envolve. Precisamos nos manter informados, porém não existe a necessidade em ficar com a TV/Internet no noticiário o dia todo. Por isso escolha um momento para fazer isso.

 

2- Mantenha a rotina: Mesmo com tantas mudanças o mínimo de rotina é importante para não nos deixar ansiosos. Precisamos mostrar uma organização para a nossa mente.

 

3- Tenha um convívio virtual: Como no momento não podemos nos juntar fisicamente, o falar com as pessoas virtualmente torna-se importante. Tente manter as relações mesmo que a distância.

 

4- Tenha um tempo pra você: Tire um tempo para fazer o que gosta (exercícios, ler um livro, escutar música, cursos) nem que seja dentro do quarto, tenha esse momento.

 

5- Terapia: Procure a ajuda de um profissional para te ajudar a compreender e lidar com a ansiedade, medos e angustias que este momento tem trazido.

 

6- Procure viver um dia por vez: Observe cada ação sua. Viva um momento por vez. Faça uma atividade por vez. Desfrute do que está fazendo. Esteja consciente do momento. Saia do automático. Procure ter uma vida mais leve e significativa, fazem a diferença.

Majú: você, como coordenadora de um curso de Psicanálise, tendo em vista o momento em que muitos estão se adaptando na vida home. O que poderia nos falar desse curso de formação e pós-graduação em Psicanálise? Parece uma boa oportunidade de mudar ou mesmo de realizar alguns sonhos!

Simone Selari: Sim. Esse curso que oferecemos é maravilhoso, e uma grande oportunidade de mudança profissional, fonte de rendimento, além de proporcionar um grande autoconhecimento. Um curso completíssimo de formação e Pós-Graduação em Psicanálise.

Majú: Primeiro, gostaríamos que nos falasse um pouquinho sobre a Psicanálise, pois muitos podem ter dúvidas do que realmente se trata.

Simone Selari: Bom, a Psicanálise é uma ciência autônoma, criada por Freud, e tem como método, a investigação e interpretação do inconsciente.

Tem o seu caráter terapêutico, pois trata conflitos e doenças mentais.

Sabe, a Psicanálise é reconhecida pelos Neurocientistas como o melhor método de compreensão da mente humana, inclusive porque entende o inconsciente, como uma força motivadora e determinante do comportamento humano.

Na verdade, o que acho lindo nessa área de estudo, é que, além do ganho profissional, ela promove mudanças dentro de nós, pois ajuda a nos conhecermos melhor e entendermos como funcionamos diante da vida, das situações que se apresentam, como é o caso da Pandemia, por exemplo, que de certa forma nos mostra como estamos diante dos momentos de pressão psicológica.

Eu não sei se você sabe, mas de todo o nosso comportamento, somente 5% é consciente. O restante, os outros 95% são inconscientes. Assim, entendo que somos muito mais do que não conhecemos, do que conhecemos!! E é aí que entra a Psicanálise, que com sua metodologia traz para o consciente esses conteúdos inconscientes a fim de assumirmos o controle de nossa vida e não sermos levados pelos impulsos inconscientes.

Me lembro agora de uma frase de Freud muito interessante: “No inconsciente, nada termina, nada passa, nada é esquecido.”

 

Majú : Maravilha saber disso, nos conta… Esse curso de formação e pós-graduação de Psicanálise, pode ser feito à distância?

Simone Selari: Sim. Com a pandemia, o adequamos à uma plataforma virtual, ou seja, o curso pode ser feito onde for mais agradável ao aluno. Porém, procuramos manter toda a qualidade de um curso presencial. É virtual somente na ministração da aula, mas é ao vivo, com professores interagindo com a classe e tirando todas as dúvidas e as aulas ficam gravadas para o aluno assistir quantas vezes quiser.  Essa é a nossa grande diferença, além de ser um curso que dá ao graduado um certificado de Pós- graduação, reconhecido pelo MEC.

 

Majú: Só mais uma pergunta. Quem pode fazer o curso? É somente para psicólogos ou médicos?

Simone SelariNão, como a Psicanálise é uma profissão livre, posso dizer que esse curso é para todos aqueles que “gostam de pessoas”, risos.

É para aqueles que queiram entender um pouco mais sobre relacionamentos interpessoais.

Para aqueles que procuram o autoconhecimento, pois o curso proporciona ao aluno um processo riquíssimo de autoanálise.

É também para aqueles que queiram acrescentar um “olhar”, uma experiência a mais em sua profissão, como o Direito, a Medicina, Comunidades (nível eclesiástico, igrejas), outras áreas da terapia, coaching, vendas, entre outras que tenham pessoas.

E, finalmente para o exercício da profissão, como Psicanalista, (a profissão de Psicanalista é classificada na CBO- Classificação Brasileira de Ocupações) podendo atender como analista ajudando pessoas e, seus problemas existenciais como: fobias, ansiedades, depressões, obsessões, impulsos auto agressivos, angústias e crises de toda ordem.

Assim, qualquer pessoa acima de 18 anos e que tenha o Ensino Médio completo pode fazer esse riquíssimo curso de Psicanálise.