Como os traumas infantis influenciam na vida adulta?
Vamos falar sobre um tema que amo estudar e que, quanto mais me aprofundo, mais desejo que as famílias conheçam. Assim, nós, pais, talvez possamos criar filhos emocionalmente maduros e saudáveis, garantindo que essa corrente continue.
Desde que comecei a estudar psicanálise, um dos conceitos que mais me impactou foi a ideia de que nossa infância molda profundamente quem nos tornamos na vida adulta. Winnicott, fala sobre como o ambiente em que crescemos pode nos ajudar a desenvolver um verdadeiro self ou, ao contrário, nos empurrar para a construção de um falso self, uma máscara que usamos para nos adaptar a um mundo que não nos acolheu como precisávamos.
Muitas vezes, quando pensamos em traumas infantis, imaginamos apenas situações extremas, mas Winnicott nos ensina que um trauma pode ser silencioso. Pode estar na falta de um olhar atento, no choro que ninguém acalmou, na necessidade emocional que nunca foi reconhecida. O bebê nasce totalmente dependente do outro para sobreviver e, se esse outro falha repetidamente em oferecer cuidado e presença, a criança aprende que não pode contar com o mundo e passa a esconder suas verdadeiras necessidades.
Na vida adulta, isso pode aparecer de várias formas: dificuldade em se conectar com as próprias emoções, um sentimento constante de vazio, medo da rejeição ou até uma necessidade exagerada de agradar os outros. Algumas pessoas sentem que precisam estar sempre no controle, enquanto outras se tornam extremamente dependentes. Tudo isso pode estar relacionado a um ambiente que não foi suficientemente bom na infância.
Mas o mais bonito na visão de Winnicott é que ele não acreditava que estávamos condenados a repetir essa história para sempre. Através de relações seguras – seja na terapia, em um relacionamento saudável ou em novas experiências de acolhimento – é possível resgatar partes de nós que foram reprimidas e finalmente nos permitir ser quem realmente somos. O processo pode ser difícil, porque significa entrar em contato com dores antigas, mas é também libertador.
Se você sente que carrega marcas da sua infância que impactam sua vida hoje, saiba que isso não significa que você está quebrado. Muito pelo contrário. Significa que há um caminho para reconstrução, para se reconectar com aquilo que um dia foi perdido. E esse caminho pode começar com um simples passo: reconhecer sua própria história e se permitir vivê-la de maneira diferente.




